O Manual de procedimentos da RENER - Rede Nacional de Emergência de Radioamadores,
foi aprovada pela Portaria do Ministério da Integração Nacional
n° 539, de 28 de abril de 2003, publicada no Diário Oficial da União
N.º 82, Seção 1, de 30 de abril de 2003.
Manual de Procedimentos - Rener
I - Apresentação
II - Conceitos
III- Rener
- Rede Nacional de Emergência de Radioamadores
- Objetivos
- Organograma
- Integrantes da Rede
- Ativação
IV- Comando
- Funções
V- Procedimentos
- Éticos
- Técnicos
- Práticos
VI- Bibliografia
I – APRESENTAÇÃO
O presente Manual foi elaborado de acordo a “Norma de Ativação
e Execução dos Serviços” a serem prestados
pela Rede Nacional de Emergência de Radioamadores – RENER.
Destina-se aos radioamadores cadastrados na RENER e a todos os outros
que se interessam em atividades ligadas à defesa civil.
Ao longo da história da rádio-comunicação,
perpetuou-se a tradição de auxílio e de solidariedade,
que se tornaram fundamentos do espírito do radioamadorismo.
Todo radioamador, seja qual for a sua classe, deve estar consciente
de que sua estação, a qualquer momento, e por algum tempo,
pode ser o único elo de comunicação entre um desastre
e as autoridades competentes. Nessas ocasiões, operadores bem
preparados têm tido performances dignas de elogio.
Os radioamadores devem entender que uma rede de emergência é formada
por um grupo de estações operando organizadamente e sob
o comando de uma estação-base com a finalidade específica
de prover comunicações entre regiões ou comunidades
atingidas por desastres. Experiências passadas demonstraram que
somente os radioamadores que optaram por um comportamento sóbrio,
disciplinado, organizado e objetivo, puderam desenvolver “operações
de emergência solo” com sucesso.
O radioamador deve estar capacitado para operar o seu equipamento em
situação de emergência, tendo em vista que de nada
adianta um equipamento de última geração, se o seu
operador não entender que um comunicado normal é diferente
de um comunicado emergencial.
Os grupos de trabalho serão compostos dos seguintes colaboradores:
Pela SEDEC:
- Paulo Cesar de Souza Santos (PT2PC)
- TEN CEL BM Onofre Morisco
Pela LABRE:
- PT2ADM – Gustavo de Faria Franco,
- PT2RY – Francisco Ricardo Favilla,
- PT2FR - Francisco José de
Queirós e
- PT2NJ – Rodrigo Octávio César
Jordão
Ramos
II – CONCEITOS
1 – Desastre
É o resultado de eventos adversos, naturais ou provocados pelo
homem, sobre um ecossistema, causando danos humanos, materiais ou ambientais
e conseqüentes prejuízos econômicos e sociais.
2 - Defesa Civil
É o conjunto de ações preventivas, de socorro,
assistenciais e recuperativas, destinadas a evitar os desastres, preservar
o moral da população e restabelecer a normalidade social.
3 - Situação de emergência
É o reconhecimento pelo poder público de situação
anormal, provocado por desastres, causando danos suportáveis pela
comunidade afetadas.
4 - Rede Nacional de Emergência de Radioamadores – RENER
É uma rede formada por radioamadores voluntários, devidamente
autorizados que, com seus equipamentos, se colocam à disposição
do interesse público quando acontecem os desastres.
III – Rede Nacional de Emergência de Radioamadores
- RENER
1- Objetivos
Prover ou suplementar as comunicações em território
brasileiro, quando os meios normais forem insuficientes, ineficazes
ou impedidos para operação na ocorrência de desastre,
situação de emergência ou estado de calamidade
pública;
- Promover a capacitação de seus integrantes preparando-os
para atuar em uma emergência;
- Promover a união e coordenação das distintas
entidades que operam durante uma emergência;
- Servir à comunidade; e
- Salvar vidas.
–
2-
Organograma
| Brasil |
 |
Estação RENER Coordenadora Federal
Secretaria Nacional de Defesa Civil – SEDEC/LABRE |
| |
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| Estado |
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Estação RENER Coordenadora Estadual
Secretarias
Estaduais de Defesa Civil - CEDEC/LABRE-UF/Clubes
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| Município |
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Estação RENER Coordenadora Municipal Comissões
Municipais de Defesa Civil -COMDEC/Clubes/Radioamador
|
3 - Integrantes da Rede
3.1
- Estação RENER da Secretaria Nacional de
Defesa Civil – SEDEC;
3.2 - Estações RENER das Coordenadorias Estaduais
de Defesa Civil - CEDEC;
3.3 - Estações RENER das Coordenadorias Municipais
de Defesa Civil - COMDEC;
3.4 - Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão – LABRE,
antiga Confederação Brasileira de Radioamadorismo;
3.5 - LABRE-UF, antigas Federações Estaduais
de Radioamadorismo;
3.6 - Clubes de Radioamadores, devidamente cadastrados na RENER;
3.6.1 - Os clubes de Radioamadores deverão ter os seus
membros também cadastrados na RENER;
3.7 - Todos os radioamadores cadastrados na RENER;
3.8
- Outros radioamadores, embora não cadastrados, mas
que venham a participar de uma situação de emergência.
Esses radioamadores deverão, posteriormente, providenciar
o cadastramento junto à RENER.
4- Ativação da Rede
4.1 A RENER será ativada nos seguintes casos:
4.1.1 - Em situação de emergência ou calamidade
pública nacional, estadual ou municipal; e
4.1.2 - Para treinamento
IV – COMANDO
1. O comando e a coordenação da RENER, no âmbito
nacional, é da Secretaria Nacional de Defesa Civil com o apoio
da Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão – LABRE
1.1 – Funções
1.1.1 - Fazer a abertura da Rede de Emergência Nacional;
1.1.2 -
Manter o relacionamento com as entidades governamentais ou não
governamentais, de acordo a legislação vigente;
1.1.3 -
Supervisionar o funcionamento da Rede, nos estados, exigindo
informações periódicas das respectivas coordenações;
e
1.1.4 - Fazer o encerramento das atividades da rede nacional.
2 - O comando e coordenação da RENER, no âmbito
estadual, é da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, com o
apoio da LABRE-UF, ou Clube de Radioamadores, ou Radioamador indicado
pela LABRE-UF e referendado pela LABRE.
– Funções
2.1.1 - Fazer a abertura da Rede de Emergência Estadual;
2.1.2 - Manter o relacionamento com as entidades governamentais
estaduais ou não governamentais encarregadas de atender às emergências,
para pronto pedido da ajuda necessária;
2.1.3 - Supervisionar o funcionamento da Rede no seu Estado,
exigindo informações periódicas;
2.1.4 - Estabelecer as prioridades operativas da Rede;
2.1.5 - Promover, em conjunto com a LABRE-UF, a execução
dos treinamentos para capacitação de radioamadores
participantes da rede, pelo menos duas vezes ao ano;
2.1.6 - Fazer, após um desastre, o relatório das atividades
da Rede e encaminhá-lo para o comando nacional, no prazo máximo
de 15 (quinze) dias após a ocorrência do fato;
2.1.7 - Requisitar o uso exclusivo de estações
repetidoras;
2.1.8 - Fazer o encerramento da Rede;
2.1.9- Manter atualizada a relação dos radioamadores
integrantes da RENER no Estado;
2.1.10 - Promover reuniões de avaliação com os
participantes da Rede Estadual no sentido de identificar e corrigir erros
de operação; e
2.1.11 - Avaliar a real necessidade de ativação
da Rede Estadual.
3 - O comando e coordenação da RENER municipal é da
Comissão Municipal de Defesa Civil ou Clube de Radioamadores ou
Radioamador, sendo os dois últimos indicados pela LABRE-UF.
3.1 – Funções
3.1.1 - Manter o relacionamento com as entidades municipais no sentido
de ajudar na
ocorrência do desastre;
3.1.2 - Receber e seguir as orientações do comando
Estadual;
3.1.3 - Elaborar relatório de atividades;
3.1.4 - Orientar os membros da rede municipal e estabelecer prioridades
de ação para atendimento ao desastre local;
3.1.5- Manter registro, em ordem cronológica, das mensagens
recebidas e transmitidas;
3.1.6 - Participar dos treinamentos oferecidos pelo comando Estadual;
3.1.7 - Recusar mensagens que pelo seu conteúdo nada tenham
a ver com uma situação de emergência em andamento;
e
3.1.8 - Avaliar a real necessidade de ativação da Rede
Municipal.
V – PROCEDIMENTOS
1 - Éticos:
Os integrantes da Rede deverão:
1.1 - Familiarizar-se com outros radioamadores, objetivando conhecer
o funcionamento de redes, suas normas e características de
operação, evitando fazer críticas ou comentários
de natureza alarmante;
1.2 -
Não colocar em risco de vida pessoas ou grupo de pessoas
com informações de caráter pessoal, dando “a
posteriori”, as informações necessárias;
1.3 -
Não veicular mensagens de cunho comercial ou pessoal de
qualquer natureza, de caráter político-partidária
ou de caráter religioso;
1.4 -
Quando oferecer seus serviços ou equipamentos à Rede,
não esperar iniciativa de outros. É obrigação
do radioamador levar sua oferta até o local determinado pela
coordenação, onde todos devem estar sobrecarregados
com outras tarefas;
1.5 -
Emprestar seus conhecimentos. Situações específicas
exigem conhecimentos que só profissionais ou pessoas treinadas
podem compreender e administrar corretamente;
1.6
- Respeitar, rigorosamente, os horários e as freqüências
anteriormente pré determinados pelo comando da Rede;
1.7 - Ser consciente das atribuições do radioamador.
A obrigação de efetuar salvamentos, resgates e outros
auxílios à população atingida pela emergência é de
exclusiva competência das autoridades constituídas,
exceto nos casos de socorro pessoal e humanitário;
1.8 -
Abster-se de dar conselhos e planejar ajuda para pessoas ou instituições
encarregadas dos trabalhos de assistência nas situações
de emergência;
1.9 -
Evitar fazer críticas ou comentários alarmantes;
e
1.10 Utilizar, preferencialmente, o código fonético
internacional.
2 - Técnicos:
2.1 – Estação base
2.2.1 - Providenciar fonte alternativa para alimentação
elétrica de emergência, tais como baterias de carro e de
moto, ambas para corrente contínua;
2.2.2 - Providenciar fonte alternativa para alimentação
elétrica de emergência, tal como gerador movido a óleo
ou gasolina, para corrente alternada;
2.2.3 - Ter sempre à mão cabos e conectores apropriados
para ligações de emergência;
2.2.4 - Manter sempre a estação em condições
de operacionalidade; e
2.2.5 - Ter, se possível, aparelhos complementares de telecomunicação
tais como phone patch, fax, internet e telefone celular.
2.2 – Estação móvel/portátil
2.2.1 – Estação HF/VHF
2.2.1.1 - Providenciar antenas de reservas para as faixas de operação
no veículo ou para instalação de emergência
fora do veículo;
2.2.1.2 -
Providenciar bateria reserva para o veículo;
2.2.1.3 - Ter sempre à mão cabos,
conectores, ferro de solda a gás (ou com alimentação
pela bateria do veículo), esteios e bússola; e,
2.2.1.4 - Confirmar se a rede elétrica local é de
110V ou 220V caso seja necessário o uso de carregadores
de bateria ou outro acessório.
2.2.2 - Estação VHF (HT)
2.2.2.1 - Para operação móvel (portátil)
com um HT, providenciar um outro HT reserva bem como baterias
extras para garantir um tempo maior de operação, sem risco
de interrupção;
2.2.2.2 - Providenciar uma antena extra, de uso externo (plano terra)
para melhorar o alcance da transmissão;
2.2.2.3 - Ter sempre à mão cabos, conectores, esteios
e bússola para adaptação da antena
externa; e,
2.2.2.4 -
Confirmar se a rede elétrica local é de 110V
ou 220V caso seja necessário o uso de carregadores
de bateria ou outro acessório.
3– Freqüências
3.2.1- Fonia
3.2.1.1 - 3.765 KHz
3.2.1.2 - 7.080 KHz (prioritária), 7130 KHz
3.2.1.3 - 14.180 KHz
3.2.1.4 - 21.230 KHz
3.2.1.5 - 28.290 KHz
3.2.1.6 - 146520 KHz e repetidores
3.2.1.7 - 439000 KHz e repetidore
3.2.2
- Digitais
3.2.2.1 - 3.550 KHz
3.2.2.2 - 7.040 KHz
3.2.2.3 - 21.040, 21.070, 21340 KHz
3.2.2.4 - 28.040, 28.120, 28.680
KHz
3.2.2.5 - 145100 KHz e repetidores
3.2.2.6 - 432080 KHz e repetidores
Parágrafo Primeiro:
Quando em situação de emergência, deve-se respeitar
silêncio, pelo menos, 30 KHz acima e 30 KHz abaixo das freqüências
utilizadas;
Parágrafo Segundo:
As freqüências determinadas nos artigos 3.2.1 e 3.2.2 podem
ser alteradas de acordo com a necessidade da emergência.
4 – Práticos
4.1 - Identificar o equipamento que vai ser utilizado, por meio
de etiquetas adesivas ou outro método prático;
4.2 - Organizar-se e manter a calma;
4.3 - Escutar antes de efetuar qualquer transmissão. O tráfego
prioritário tem preferência sobre todos os demais;
4.4 - O radioamador ao se apresentar em locais de emergência
deve sempre ter à mão
a identificação de sua estação;
4.5 - Usar linguagem compatível com o procedimento da Rede;
4.6 - Portar, sempre, lápis/caneta/papel/prancheta e um
canivete multiuso;
4.7 - Anotar todas as mensagens que transmitir e que receber assinalando
horário, destino e procedência;
4.8 - Falar com calma e pausadamente;
4.9 - Encarar a realidade sem pânico; a sobrevivência própria
e de companheiros depende do radioamador e de sua estação;
4.10 - Poupar energia, tanto própria como das fontes de alimentação;
4.11 - Providenciar eventuais substitutos para uma emergência
mais demorada;
4.12 - Estabelecer prioridades nos comunicados privilegiando a
proteção
de vidas humanas;
4.13 - Não enfatizar emoções nas transmissões
dos fatos;
4.14 - Fazer o que estiver ao alcance, sem exagero nem heroísmo;
4.15 - Alimentar-se e dormir o suficiente, a fim de prolongar
a resistência;
4.16 - Trabalhar em equipe. Tarefas estabelecidas para uma determinada
estação não devem ser “atravessadas” por
outra estação;
4.17 - Evitar invadir outros serviços. Em operações
conjuntas que envolvam Polícia, Bombeiros, etc. o radioamador
deve ater-se unicamente a sua função de apoiar tais serviços;
4.18 - Não envolver-se em outras atividades para as quais não
está preparado e que não estejam no âmbito de suas
atribuições;
4.19 - Desprezar eventuais molestadores dos trabalhos, tendo o
cuidado para isolar e ignorar suas presenças;
4.20 - Itens necessários para operação móvel
no local do desastre
4.20.1 - Períodos curtos
-
comida ligeira
- sucos
doces
- pastilhas para garganta
- remédios pessoais
- aspirina
- faca, garfo e prato
4.20.2 - Períodos longos (além dos itens para período
curto)
- capa de chuva
- água potável
- rações com alimentos prontos e frutas secas
- itens de asseio
- saco de dormir
- despertador
- lanterna e pilhas
- caixa de ferramentas
- fósforos e velas (em bolsa plástica)
- ferro de solda e a respectiva solda
- roupas
- cobertor
- aparelhos de medição
- luzes de emergência
VI –BIBLIOGRAFIA
– “Handbook on disaster communications”
Publicação da ITU – União Internacional
de Telecomunicações
- “Guia Operacional de Rádio Emergência”
Autoria de PY5IP - Dirceu C. Cavalcanti e PY5AY – J. Olímpio
– “Normas para atuação em emergências” – Grêmio
da Rodada Trem das Onze
Autoria de PY5ND – Izoulet Lima Moreira Cortes
– “SOS Enchente – Um vale pede socorro”
Autoria de Antônio B. Barreto e PP5ASN - Alda Schlemm Niemayer
– “Manual de la red de emergencia”
Autoria da Liga Colombiana de Radioaficionados
Ministério
da Integração Nacional
Secretaria Nacional de Defesa Civil
Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão - LABRE
Rede Nacional de Emergência de Radioamadores - RENER
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