Defesa Civil não é um tema novo, nem tão pouco tem suas raízes neste século. A busca de sua origem nos remete aos primeiros agrupamentos humanos. O ser humano proporcionou a convivência em grupos socialmente organizados, onde cada integrante desempenhava seu papel de acordo com o aprendizado dele mesmo e de gerações anteriores. A sua sobrevivência dependia do seu abrigo no grupo, e a existência do próprio grupo dependia da sua capacidade de organização para garantir a sua proteção e superar os inimigos e as adversidades naturais.
A Defesa Civil evoluiu, e hoje pode ser definida como a atuação da sociedade organizada na proteção de si própria. É a organização das ações e que visam determinar procedimentos a fim de prevenir ou evitar e, em caso de impossibilidade, minimizar os efeitos advindos de eventos incontroláveis que causam riscos à coletividade, sendo estes naturais ou ocasionados pelo homem. Hoje entendemos que é função de todo integrante da Defesa Civil, voluntário ou não, as ações de prevenção, preparação, socorro e assistência às populações atingidas e reconstrução. Cabe aos órgãos de Defesa Civil reduzir ao máximo os riscos de desastres e as perdas deles advindas, e encontrar maneiras de coordenar o restabelecimento do bem-estar da coletividade.
A gestão de desastres no Brasil tem, no nosso entendimento, vários desafios a superar. Nesta oportunidade, consideraremos dois deles. O primeiro, diz respeito à forma como a intervenção técnica em defesa civil elabora sua interpretação da realidade. O segundo refere-se à qualidade das práticas sociais escoradas na interpretação da realidade de riscos de desastres.
Ao integrar a EIRD o Brasil assume compromisso de trabalhar não apenas na resposta emergencial aos desastres, mas, sobretudo no fortalecimento da segurança das cidades, tarefa nada fácil. A Defesa Civil até então identificada, apenas, com as instituições de resposta aos desastres, vem tendo o desafio de integrar a sociedade como um todo, ai compreendidas as autoridades e a população, na gestão de riscos.
Em virtude da necessidade de adequação dos conteúdos das atividades de prevenção até então ofertados pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, com a realidade de riscos e de desastres do país, e das mudanças ocorridas a partir da publicação da Medida Provisória nº 494 e do novo Decreto nº 7.257, foi criado o Programa de Formação Continuada do Sistema Nacional de Defesa Civil, que inclui ações de incentivo à formação de uma cultura de redução de riscos de desastres, com a realização de campanhas, fóruns, oficinas, seminários e cursos.
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